uma
palavra
escrita é uma
palavra não dita é uma
palavra maldita é uma palavra
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa
Postado por Priscila Lopes às 14:55 2 espinhos
Marcadores: Chacal
Paro para parecer
proposital a perda
de paradigmas
precipitados na
apropriação da
primeira prática
proibida. É possível
que se possa ser
passional com a
pessoa pressionada
à passear na passagem
do pensamento pulsante.
Pondo uma ponte
diante dessa gente
pendurada
ponta à ponta
pinta-se um pêndulo
ponderador de pancadas.
Postado por Aline Gallina às 14:13 1 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 12:00 0 espinhos
Marcadores: Germina Literatura, Líria Porto
E eu, que já não tinha pernas
me sinto parada
Que já não tinha mãos
faço quase nada
Que já não tinha olhos
vista embaçada
- Vivo pra não morrer.
E eu, que já não tinha amigos
ando solitária
Que já não tinha mãe
nem imaginária
Que já não tinha amor
vivo de migalhas
- Choro pra não sofrer.
E eu, que já não tinha fé
perdi a esperança
Que já não tinha laços
quis fazer vingança
Que já não tinha passos
a solidão me alcança
- Ando pra não correr.
E eu, que já não tinha a mim
perdi meus ideais
Que já não tinha sonhos
dores tão reais
Que já não tinha planos
vidas marginais
- Escrevo pra não esquecer.
Postado por Priscila Lopes às 08:30 1 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 14:32 1 espinhos
Marcadores: Ausejo de la Sierra, Fermín Herrero
Postado por Priscila Lopes às 09:00 2 espinhos
Marcadores: Deus, Elaine Pauvolid
Postado por Priscila Lopes às 13:23 2 espinhos
Marcadores: Cassiano Ricardo, esperança, luta
Postado por Priscila Lopes às 13:28 3 espinhos
Marcadores: Gilberto Amendola
Postado por Priscila Lopes às 14:28 3 espinhos
.
Quero poder comemorar as coisas simples
- porque simples é o meu poema.
Invejar as flores que não são tristes
- porque triste é o meu poema.
se houver problemas, superá-los;
se ousar a corrupção, vencê-la;
Quero a prosperidade - na verdade,
hotel seis estrelas!
- porque meu poema é simples
e pretensioso.
.
Postado por Priscila Lopes às 15:22 4 espinhos
O GESTO NÃO É PALAVRA
NEM O OBJETO
AS LETRAS NÃO SÃO ONÍRICAS.
A SEQUÊNCIA DE LETRAS FAZ O CONSCIENTE
PALAVRA É O PENSAMENTO.
Postado por Aline Gallina às 14:54 4 espinhos
as letras
em grupo
palavras
palavras
em grupo
frases
frases
em grupo
conto
conto
em grupo
romance
romance
em grupo
coleção
coleção
em grupo
coleção
coleção
em grupo
coleção
Postado por Aline Gallina às 16:16 9 espinhos
silêncio selvagem
chicotinho de palavras
dói tanto
que amarga
a boca de quem ouviu
............................ouviu ouviu
..........ouviu
.........................ouviu ......ouviu
ou
viu
e não disse nada.
Postado por Priscila Lopes às 07:37 6 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 08:00 10 espinhos
Como se fosse a primeira vez
Ela lambeu a ponta do lápis – mania que tinha
Riscou os olhos – traço curto e grosso
Como se fosse a primeira vez
Ela a olhou e disse:
“você não quer se riscar também?”
Como se fosse a primeira vez
As duas gerações descobriam-se
Pelo rastro dos riscos nos olhos.
Postado por Aline Gallina às 10:28 4 espinhos
.
Sentia falta do tempo
em que as poesias (se) exaltavam:
- Oh céus, oh Cristo!
E por isso não lia mais
poemas, não aparecia
nos lançamentos, nas livrarias,
saraus ou sebos.
- Oh céus, mas que merda!
.
Postado por Priscila Lopes às 15:14 8 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 16:14 4 espinhos
Escrevo à luz da palavra que me consome:
rendo-me tão-somente às idéias
- dois ou três copos d’água –
nem sinto fome.
Vai dizer que viver
não é feito de mágica?
Mas, agora, racionamento de água:
falta-me inspir-ação, ânimo, páginas.
O solo resseca, o corpo sossega,
e a mente traja
luto.
Postado por Priscila Lopes às 07:26 8 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 14:44 1 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 15:42 1 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 14:06 4 espinhos
ela lê o beabá do levedo
e lambe o dedo que leva o lápis:
aí vem o olho esquerdo a ver ao lado
o louvor da letra que se faz no copo
a loucura bêbada que se faz num chopp
-----------------------------------ou
---------------------------------cerveja
Postado por Aline Gallina às 13:57 5 espinhos
Não basta um grande amor
.....................para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
.....................que o amor da gente.
O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.
Uma coisa é a letra,
e outra o ato,
.....................- quem toma uma por outra
............................confunde e mente.
Postado por Priscila Lopes às 16:22 1 espinhos
A party de agora
é fiesta!
A palavra está solta
do papel ao céu da boca
- Oh, este muy bello ciel!
Quiero comer New York,
los muffins de New York,
los seios de la statue de New York
- commettere un scandale public!
E assim amarrar minha bandeira
em todas as línguas.
Postado por Priscila Lopes às 09:00 8 espinhos
COISA
Creio que irei morrer.
Mas o sentido de morrer não me comove.
Lembro-me que viver ou morrer são classificações como animais ou vegetais que tenham seu normal ou mais freqüente meio de vida. Apenas faço parte das coisas.
Aceito as dificuldades da vida porque fazem parte do destino – e acredito que sem elas não haveria propósito.
Se me queixo?
Sim, me queixo como quem meramente aceita, e encontra uma alegria no fato de aceitar.É difícil tanto quanto sublime aceitar o natural inevitável.
Sei que o mundo existe, só não sei se eu existo.
Estou mais certa da existência da minha casa na praia do que a existência da dona da casa na praia.
Só sei que a vida passa e não estamos com nossas mãos enlaçadas.
Tudo que existe simplesmente existe, é uma velhice que nos acompanha desde a infância.
A realidade não é uma idéia minha, a minha idéia de realidade é que é uma idéia minha.
Por que será que Deus quis que não o conhecêssemos?
Eu não sou filosófica: tenho sentidos...
Se falo de coisa não é porque sei o que é coisa, mas porque a amo, e amo por isso. Porque quem ama nunca sabe o que ama, nem por que ama, nem o que é amar. Amar é a eterna inocência.
E, ao lerem meus textos – pensem que sou qualquer coisa.
Postado por Priscila Lopes às 09:00 3 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 09:00 1 espinhos
Se escrevo é porque não suporto em mim
essa palavra ardente. E porque sufoca-me
o ar dessa enciclopédia aguda, a altura
do penhasco com o qual me defronto
quando penso em saltar - é sempre mais
alto, e maior o risco do tombo. Eu lhe escrevo
e ponto. Mas explico porque me inundam
as lágrimas que castigas ao receber notícias
minhas. Já houve um tempo em que havia tempo
e a gente só ria. Já houve riso, sentido, olhares
que se cruzavam atônitos antes de outro riso
e sentido. Olhares. Houve. E agora não enxergo
motivo para não lhe escrever sobre o vazio
que habita os cômodos - incomoda. É um tapa
o gesto que procuras ao me sentir chegando.
Eu sei que é Janis Joplin a sua dor, e descubro:
O número 2 é infinito. Multiplica-se e se subtrai;
nada harmonioso; inconfessável. Foram os hormônios
da época, eu a perdôo! Eu a perdoarei a cada
sorriso que essa criança esboçar
imitando o seu nome.
imitando o seu nome.
Postado por Priscila Lopes às 15:38 5 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 16:55 4 espinhos
Postado por Aline Gallina às 17:31 5 espinhos
um
silêncio
de
dar
dó
( )
in-
cêndio
no
des... viu?
( )
antigamente eu era eu mesma.
Postado por Priscila Lopes às 19:53 8 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 16:27 8 espinhos
Eu vou escrever um discurso para o bem
de todos. Vou celebrar toda uma Nação,
e Estados miniaturas da África,
da Europa e da Ásia - vou disseminar o vírus poético-
caótico no Azerbaijão. Em francês, une chanson triste
para os corações empedrados - leite em pó violado:
os ratos esperam seus restos – Oh, Imortais
da Literatura, eis mais um prêmio - o derradeiro,
o sentenciador - o mais perfeito é deixado para o final:
a Morte!
Postado por Priscila Lopes às 14:50 13 espinhos
discurso fluente como ato de amor
incompatível com a tirania
do segredo
como visitar o túmulo da pessoa
amada
a literatura como clé, forma cifrada de falar da paixão que não pode
ser nomeada (como numa carta fluente e "objetiva").
a chave, a origem da literatura
o "inconfessável" toma forma, deseja tomar forma, vira forma
mas acontece que este é também o meu sintoma, "não conseguir falar" =
não ter posição marcada, idéias, opiniões, fala desvairada.
Só de não-ditos ou de delicadezas se faz minha conversa, e para
não ficar louca e inteiramente solta neste pântano, marco para
mim o limite da paixão, e me tensiono na beira: tenho de meu
(discurso) este resíduo.
Não tenho idéias, só o contorno de uma sintaxe ( = ritmo).
Postado por Priscila Lopes às 15:23 6 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 16:16 6 espinhos
Falácias
Faces de palavras
......F...A...L...É
......................S
.........................I
...........................AS
..............................onde o corpo não é
lugar algum
Prata preta no lixo
da boca
Dá o que falar
(muita porcaria!)
em meio
ao cenário branco.
Postado por Aline Gallina às 12:35 8 espinhos
De onde me encontro
- e me perco onde? -
posso ver as fagulhas,
as falácias, a facilidade
com que trabalhas a verborragia
quase inútil - operário das palavras;
examina
dor
dos
dicionários.
O teu trabalho árduo,
o teu canto girassol
é tão emblemático,
tão ensimesmado,
que reluz utópico
diante do anonimato.
De onde me encontro
- e não me procuro -
posso rir, e não me ouves;
posso escrever, e não me lês.
Sou um poeta.
Postado por Priscila Lopes às 13:05 6 espinhos
A crítica que tenho recebido
é quanto ao tema, não quanto ao formato:
"O Glauco trata só de pé e sapato,
ainda que use o molde mais subido."
Respondo antes de tudo por Cupido:
comigo ele jamais teve contato.
Além do mais, não vou deixar barato
que assunto algum me seja proibido.
Sou cego mas eclético, e versejo
acerca de problemas tão diversos
que nem forró, barroco e sertanejo.
De grandes e pequenos universos
é feito o Pé que cheiro, beijo e vejo:
a Ele presto conta dos meus versos.
Postado por Priscila Lopes às 12:02 8 espinhos
Preguiça de enviar palavras
- sussurros - na minha mente.
[Estou sem concentração.
Ou com, não sei...]
A gravidade pesa!
[E como]
Maltrata o corpo, dentro dele
[Machuca por dentro, sabe?]
-..........................................................olhos na parede,
os desvio com dificuldade e um pouco de raiva.........-
.........................................................................................
Os olhos me fecham
- sinto uma dor –
é uma palavra que não vem
mais . nada.
Postado por Aline Gallina às 20:24 5 espinhos
a inoperância do verbo
ser
dilata-se à freqüência com que
a língua trabalha
a língua, que mastiga o verbo
e dilacera e dilacera e dilacera
feito máquina, feito
indústria pornográfica, feito
merchandising: efeito.
Há por dentro uma língua toda máquina
uma linguagem toda verbo
e um machado cujo prego
preenche os buracos
da tua escrita emoldurada
(um machado de aço para-
fuso de giz)
a dita-dura da língua-verbo
(a dita cuja é só verbo-língua)
projeta um futuro quase passado
um pretérito mais-que-imperfeito
repleto de
oh,
hei,
ais!
Permeia o cético de tão divina língua-verbo
rejeita a faceta do concreto
a língua-verbo que é só língua só
não se atém à semiótica
sempre semi-nua
semi-atleta
semi-até-analfabeta
a língua-verbo
não lê, não
escreve, só saliva
diante do prato que não pode comer.
(está de dieta)
Postado por Priscila Lopes às 12:12 10 espinhos
..............Só há fama na cama da moça,
que escreve rápido nos teclados
s.l.ç.n.o nostalgia.
.o.u.a.d
.........................................................................
.......................................- Na cama dela também há pecados,
..............................................mas isso não tem nada a ver -
.........................................................................
Ela jura pela letra de Ana:
..............Irá dissolver-se em toda a água
............................................o..m
.........................................d.........u
..........................................o.......n
..............................................d
..............Jura também por Caio e Paulo.
....................................................................
........................Conta cheia de pose:
....................“Pessoas de todas as partes:
Postado por Aline Gallina às 13:02 4 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 13:31 1 espinhos
.
Vou escrever um poema
de camisola
e penetrá-lo, penetrá-lo, penetrá-lo
de camisinha.
Postado por Priscila Lopes às 11:22 12 espinhos
Os pingos nos “is” não vou pôr
e dispor em desacento ordenado.
Acima de cada palavra um pensamento.
Formação de continui-frase-dade em segmento
incomoda se no fim a distância aumenta
se palavra (en)curta a frase (a)tormenta.
Reconstitui o tudo por um novo
e as mãos suplicam reboco
do princípio a fuga não existe
é o começo indubitável
pintável
triste.
Feliz
no fim do agora é futuro.
Reescreve em partes cada etapa no escuro,
reflexões que cheias de “is” aparecem -
abaixo a importância dos pingos -
e deixo você pô-los dessa vez.
Construir frases simples e retas -
nada de listras ou xadrez -
Tudo mostrado nos mínimos, com mimos,
manual de explicações, setas,
Não deixar ninguém pensar...
E os pingos nos céus eu vou pôr,
para chover até que tudo acabe!
Pois de que me adianta viver assim?
Sem entusiasmo, com tanto detalhe?
Está jogado na face!
Tiraram a minha contemporaneidade – achei que ela não tinha fim.
Postado por Aline Gallina às 15:23 6 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 12:56 2 espinhos
Escrevia um concretismo tal
que soou subjetivo. "Cadê o sujeito? Cadê
a essência além da forma? Perfeito:
agora eu uso palavras diversas
para escrever uma só". Não entendia, não
prestava atenção ao poema. Tanto dizia
ele, perdeu o sentido naquela folha perdido,
amarelo doente de pó.
Postado por Priscila Lopes às 13:39 9 espinhos

Postado por Priscila Lopes às 16:48 8 espinhos
..........................................................Letra mais
.............................................letras chegam
............................................mar à tona
...................................de boas vindas
.........................Amontoam-se na boca
........................salivando entre os dentes
.................................engolindo as palavras
........................................GORDOS GOLES:
...........................................blog blog blog blog
.............................................................e mas-
...............................................tigo mastigo
como
(não há mar)
a língua que eu amo?
(não há mar)
as letras que eu amo?
(não há mar)
entretanto
................afogam
............................se...
..................................no seco da garganta
.....................................................descem
.....................................................seus
.....................................................hífens
.....................................................tal
.....................................................vez
.....................................................também
.....................................................os
.....................................................pontos
.....................................................e
.....................................................vír
.....................................................gulas.
Postado por Aline Gallina às 16:34 12 espinhos
Hoje nasceu um homem bom
de barbas brancas e chapéu.
Quando feto, era quase invisível
e cresceu anos à frente do que seria normal.
Nesta tarde ele deve ter posto ao seu redor o direito
de levar os olhos às letras de sua mãe
e escolher a melhor posição
para passar algumas boas horas escrevendo.
Postado por Aline Gallina às 16:38 4 espinhos
Posso esquecer-me de amigos e parentes
- hei de esquecer o nome do João da padaria,
da tia Idalina, do seu Francisco - e tanta gente
se anuncia à minha frente, eu vou sozinha?
Não. Vêm todos os Andrades – e na Rua dos Andradas vamos
encontrar o velho Quintana. Porque outro dia me disseram
que eu estou adiantada – à frente do meu tempo me observam:
Eu cheguei muito atrasada.
Postado por Priscila Lopes às 11:58 5 espinhos
Olha a lambança que a tansa fez!
Deixou que lhe servissem de dedos
os anéis que sumiram.
Veja a dança que a coitada tem!
É de quebrar meu pescoço de ré
que lhe é bem-vindo.
Mas por que a moça desengonçada
insiste em brincar com a tinta no
papel pautado?
Seu construir é um tanto ousado
Para quem nem sabe o que é pintar.
Postado por Aline Gallina às 12:54 5 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 13:14 5 espinhos
Eu comecei a ter medo da escrita.
Parece que cada palavra
me engole
sem mastigar.
- Vomita, vomita!
Outro dia, eu estava passando
por um livro do Vinicius
e ouvi: "Que moça bonita!"
Eu sou maluca.
Postado por Priscila Lopes às 09:41 14 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 15:21 7 espinhos
Horrível!
Um horror irreversível que mata meus olhos
Torna a cegueira desejavelmente perdoável
- eu que não vi o que ocorreu -
senti na pupila todo o asco
que tua repugnante letra
me contou
às zero horas
do dia tal.
Postado por Aline Gallina às 23:07 5 espinhos
Possuía um tranqüilo sotaque
caipira.
Com a ponta da língua erguida e
levemente voltada para trás,
ela a apontava em direção
ao palato duro.
Isso mesmo: a sub-lâmina
da língua molhada
indicando o palato duro.
Possuía um arrojado som retro-
flexo.
- Ah... inocente fonética!
Postado por Priscila Lopes às 13:08 3 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 08:18 10 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 20:57 14 espinhos
Piscam duas faces diferentes para mim:
uma é branca,
a outra é preto e par.
Cera de giz em formato simples
delineia toda a história por trás de tudo.
Um hiato traz a saída e
um grito!
Voa de dentro para frente. Explodiu
o escuro da polpa
Vira de costas e vai embora
Deixa o ímpar carregado, sufocado
Nunca abandonado!
Até a terceira face o devorar em sustenido
Insistido, perseguido.
Oh! Meu Deus o mate agora.
Seu papel está mais do que feito.
Amassa a face e também se vai.
Postado por Priscila Lopes às 12:49 5 espinhos
Um sol me espia na noite
pálido de pavor.
Creio que fotografa as palavras
que não escrevo
e as imprime nesta folha
branca; minha cara,
eu atropelei o que falavas,
porém, está tão vivo - e isto,
sim, me mata.
O teu balão de vida
full gas
O teu ritmo de régua
full time
esvaziam minha paciência lírica.
Dirás que temo o teu ta-
lento... lento... lento....
- mas o passado ecoa,
não cria novos sons.
Temo é que estas criaturas "tapadas"
não enxerguem o clima que faz hoje:
Postado por Priscila Lopes às 15:06 9 espinhos
aqui dentro é sempre noite.
aqui dentro eu não perdôo ninguém.
aqui dentro eu tô armado
e há uma revolução em curso.
uma só!
mas que dura há mais de 20 anos.
algo sem igual na historiografia.
(porque fazer revolução para conquistar
uma nação é fácil.
quero ver fazer isso aqui dentro,
onde não há espaço)
Postado por Priscila Lopes às 09:18 8 espinhos
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e amemória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Postado por Priscila Lopes às 14:38 5 espinhos
Estou com uma mania de
recorrer à tua língua
- ela tira tártaros que obstruem
meu cérebro.
Sou teimosa ao ponto de esquecer
o que ia dizer?
É preferível o tal
............[outro olhar
quase imprescindível,
a ponto de exclamação.
E você nem sequer sabe meu nome!
Postado por Aline Gallina às 10:43 8 espinhos
Eu mereço a mulher que passa
do homem que declama
o poema.
É isso que eu mereço quando
diante da folha branca
a inspiração não chega
- Mas de................................. onde?
......................................................................vem
Há uma hora aguardo por esse momento
em que tu entrarás transparente e nua
e eu a comerei em branco e preto.
Postado por Priscila Lopes às 09:31 4 espinhos
Um socorro à minha espreita,
caneta tinteiro à minha mão
Não poderia deixar de escrever uma ou duas frases
- uma palavra talvez .
Mato o socorro ao meio.
O papel sangra por vinte segundos, eu acho
que todo o sofrimento é só meu
Guardo a cicatriz até hoje,
- ela não é minha -
mas intriga minha vontade
de enterrá-la de vez.
Postado por Aline Gallina às 11:31 5 espinhos
Gostava de música internacional e lia
poemas de amor, antigos demais
para os sentimentos atuais.
Mostrei alguns dos meus,
- exigente que fui, ou ingênua? -
olhou do papel para o chão e, então,
disse me que não gostava de escritos que falassem
sobre escrever:
"É chato..."
Boring.
Postado por Priscila Lopes às 08:38 6 espinhos
da dor
nasce o poema
i
que é amor
i
do amor nasce a dor
i
da dor
nasce o poema
i
que
adormece a dor
i
a dor mede a dor
i
adormecida
i
cumprida,
lânguida,
sinuosa
i
dorminhoca
i
a dor éiiGRA(N)DE, mesmo dor
ooooooiGRA(N)DEiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimin
iiiiiiiiiiiiiGRA(N)DE iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiido
iiiiiiiiiiiii
i
a dor mexe!
i
Shiiiiiiii! Vai despertar a dor.
i
E eu...
i
Nunca mais
i
iiiivou
Aiiiiiiiime
iiiidor
iiiiiiiiiiiiiiiiiiiser.
i
a
iiinão ser...
i
Alguém aí conhece um bom
iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimata dor?
Postado por Priscila Lopes às 10:50 7 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 09:49 17 espinhos
Quem confere o ferro está ao meu lado
louco por um deslize.
Eu escrevo torto. O correto é so-
letrar o literário para Deus meu! entender.
Continua o te-ar dos dedos perdidos ao
longo do que ficou dito.
Pega o ar do final e chuta para o início:
Ar-te que te fere (in)diretamente.
Postado por Aline Gallina às 22:19 6 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 11:39 4 espinhos
Venero o verso livre
que não escapa ao poema
- quando se_____ solta _____ na linha,
VIVE
a morrer
na exclamação:
Ó grave tinta escura de superfície
Corajosa, riscas meu vôo líqüido,
Acorrentas vazia o verso sem timbre
Veneno-padrão que morre vívido!
Ressuscita com uma vírgula.
Retira risco por ponto.
Faz virar......................ponta
....................cabeça
o verso branco antes enterrado.
Bocas apojadas salivando antífonas.
Poetas? Não, bibliotecários! Cirurgiões
literários de bisturis estéticos;
reféns do temor de contágio poético;
cozinheiros de rimas;
sobre
.........vivem nas mesinhas de cabeceira.
- Vamos exaltar o criado-mudo!
- Avante, Lirismo! Ô conFORMismo! Ostra-
cismo.
contudo que seja ação:
metrificação
- Realmente, Coronel! Você, Soberano
Lirismo.
- Tens uma alma bem cruel. Eu cismo?
Trago os alfarrábios no braço.
Suporte teórico em signos embebido
Rebuscas grotesco minh'alma de crassície.
Onipresente, destoa do tempo a calvície
Com o poder do trono a ti concedido.
É que de repente explode um son...
eto eto eto - ecoa na memória nua,
palavra que desperta a tentação
de rimar com crua, lua, tua...
Tua mão delicada outrora me disse.
Quão tonto nos deixa o efeito cumprido
É demais o perigo d’esse fazer tímido.
E é antiga e escura daqui a imundice.
Intensa atenção recolhida do ouvido.
Ó som retumbante que me és típico!
con-vida à caixa de ressonância
- o Tempo, este passeio cíclico;
este desperdício de; lágrima
desMANCHA versos no papel
e não apaga as linhas do Passado.
(é que eu me inspirava em Quintana,
enquanto Ele gritava: Quintilha!)
Postado por Aline Gallina às 09:31 19 espinhos
Postado por Aline Gallina às 14:38 8 espinhos
Meus miolos tosqueiam o ar
poético subentendido como culto.
Desculpem-me, mas creio que
não sou poeta. Devo ser mais um
escritor amador, mas amo a dor
que escrever me causa.
Postado por Aline Gallina às 22:02 6 espinhos
Pássaros, pássaros! Passos
sôfregos perpassando o tempo
- e o Tempo é onde?
Vendo os olhos
de uma criança
que chora
(e o verbo é quando?)
Postado por Priscila Lopes às 11:36 17 espinhos
Se eu não ouço o que escrevi
é porque insisto em meus olhos fechados .
A surdez dos olhos é a surdez da alma!
Postado por Aline Gallina às 15:40 12 espinhos
Quando eu houver partido,
mande lembranças minhas
à vida que não vivi,
por tanto teor comedido
- do desdireito de ir
e vir - conte a ela sobre
o poema-verso-livre
que nunca alcei em linhas
pois preso estaria ali.
Quando eu houver partido
ao meio, juntar as letras
de mim - pois a escrita
me lê, mas o verbo me foge
e meu papel resiste à tinta preta.
Comemorar cada ponto impreciso
das minhas reticências - corre
em minhas veias uma interjeição
que se exclama só, grita, sALTA, (morde!)
Quando eu houver partido
inteira, à maneira de ser oculta,
respeite meus fonemas como
quem não reage ao insulto de
saber-se (con)sentindo o chão
- ordenadamente orientam-se os
críticos
no rio raso da rasura:
por favor, corrijam o meu erro
corrijam-me o erro
corrijame.
Postado por Priscila Lopes às 17:21 13 espinhos
é mero reflexo?
ou sou eu
. . . . . . . . . quem o imita?Postado por Priscila Lopes às 12:17 7 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 13:53 12 espinhos
Ainda não amanheceu aqui.
Estou só,
acompanhado do sujeito inexistente
e da penumbra
que teima descolorir em cinza.
Podem-se ouvir os grilos
gritam forte saltando da cabeça.
A partícula apassivadora agora é
um incômodo.
E o índice de indeterminação do sujeito
solidifica-se quando fecho os olhos.
Postado por Aline Gallina às 18:53 5 espinhos
Autor: Paulo de Tarso Aquarone
Disponível em: http://www.pauloaquarone.com/
Contato: pauloaquarone@terra.com.br
Postado por Priscila Lopes às 12:00 8 espinhos
adiantada. Talvez eu esteja
Haverá o dia em que lerão minhas palavras,
mas hoje não:
silêncio, e amarga
a boca o café
preto como a visão nublada
de um crítico.
É o caso de Cruz e Sousa
que quando morto,
esteve mais vivo.
Postado por Priscila Lopes às 18:06 10 espinhos
Definição de tudo e do ser e do mais
E do não ser pelo que menos poderia
Sem o porém das exceções
Dos além do mais
Que negam a existência em primeiro grau
Subjetivo de recalque de palavra
Retira o significado e substitui por outro
A decorar os itens diversos
Trazem ambigüidades para os ninhos
Passageiros de meia estrada sem fim
E traz duas saídas para os labirintos
[de uma só entrada.
Perpetuando todos os sinônimos
Avessos dos quadrados
Iguais ao um do espaço paralelo.
Postado por Aline Gallina às 13:17 6 espinhos
Caçoaste da minha ca-
co - caco - fonia; característica
esquisita: mea culpa. Adminto.
Cada qual com sua mania (bem
clichê) a tua: supera-bundar a
exuberância estrutural extra-
passada. Forasteia a tua bandeira:
extradi(c)ção. Excreta-me a
intratável - em tempo hábil - tão
sonhada abolição.
Postado por Priscila Lopes às 18:08 7 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 12:48 5 espinhos
Palavra lavrada
era uma pá de palavras
mas a pa-lavra de cara lavada
foi levada à fala.
Palavra em varal
passou pela língua
ninguém a notava.
Bateu no céu-da-boca e fugiu.
Cara de pau essa palavra!
Postado por Aline Gallina às 12:45 16 espinhos
O sol me rasteja o verbo
até untar ao céu da boca; eu
mergulho tua saliva em banho-
“Maria biblioteca”, eu te chamo,
“Joãozinho dicionário” (de rimas).
Vamos pular uma linha para fazer um
soneto: vamos, vamos! Que nada, é pura
trova, é um suspiro apenas: hAikAi! Raios!
Não entendo o puritanismo poético, esse zelo
desmedido - tão simétrico – faz sentido formal,
não mexe comigo – não mais – como antes, igual
ao que me tocava; como um ex namorado, passou: um
dia, eu sei, o havia amado, mas, a fila anda, e você está um
pouco, digamos assim, para ser bem franca, bastante atrasado.
Postado por Priscila Lopes às 12:27 11 espinhos
Nudez
O nariz pipa, a pique, vomita o ego.
A máscara não dissolve
Nem absorve a arrogância.
Textos são asas.
Olhos, intérpretes da vida
E da falência da razão.
Palavras voam.
São roupas jogadas ao vento.
Autor: Carlos Alberto Fiore
Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=26041
Postado por Priscila Lopes às 09:30 8 espinhos
Eu sou o Fulano de Tal,
dono de posses.
És filha de quem, "essa menina"?
Quando eu crescer quero ser inscritora
Hoje o nome d'ela é poeta.
*
Lembra-se do Fulando?
Tinha os dois olhos tortos e as mãos fechadas.
Desistiu do tratamento por ser caro
Quando vai ler, olha para o próprio nariz.
Engraçado ele não se entender!
*
Inscrevo,
porque é para dentro.
Se for para fora é excrevo.
Inscrevo num desdiário
inconfissões.
*
O fulano não gosta de mim,
mas acho que é porque tem o nariz muito grande.
Se eu crescer mais ainda,
quero ser gigante também.
Mas quero que o não-corpo cresça junto.
Postado por Aline Gallina às 17:04 7 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 14:38 4 espinhos
A Gramática Clássica
é uma senhora pomposa
e histérica: virginiana,
horizontal, matemática,
gorda (obesa!), parnasiana,
madrasta má, professora
de régua na mão, a monarca,
patriota, celibatária, o patrão.
Mesmo com a doçura de um cacto,
teve ramificações - penosas.
A filha da sua filha,
"A Nova Gramática Contemporânea do Brasil",
a visita com freqüência: sagitariana,
transversal, problemática...
cuja quantidade de amantes
se envereda ao inventário
(sem hierarquização)
- Escancaradinha, não?
Postado por Priscila Lopes às 12:15 13 espinhos
Je suis a máscara dos que lêem,
projeto teus olhos ao mundo.
Eu sou tout entière
você também
- se eu quiser -
Ô mortels!
Postado por Aline Gallina às 20:59 5 espinhos
O vento folheia a árvore.
Em sulfite A4 branca,
dessas com nome e
sobre-nome escrevo
(uma Pessoa inscrita observa)
In-vento memórias.
Trans-planto impressões.
Descompondo
Escrevendo
Exprimindo
Fernando
Matéria sedimentada de seiva elaborada,
não está ao pé do pé que ali está,
ex-tinta.
Postado por Aline Gallina às 00:18 11 espinhos
Postado por Priscila Lopes às 13:54 10 espinhos
Cintilam faróis so far away
de nós: três ou quatro, cegos;
de tão difíceis de soltar,
saltam em mim faltam
motivos erguidos para não
deitar; e o que é o horizonte?
Contemplo ao longe - alguns
goles mais tarde: - arroto um poema.
Postado por Priscila Lopes às 15:37 10 espinhos
Dentro dos conformes
Com formas emolduradas
Conforme-se com o “tudo isso!”
Sem formas elaboradas
Nem perda de tempo inventada
Fora dos limites da linha.
Para mim com tudo
- até fórmica!
Para ti talvez nada.
Postado por Aline Gallina às 23:14 8 espinhos
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