segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Nas tuas mãos

Feche os dedos
Não os deixe caminhar de forma
Forma alguma, aliás
Nem ovalóide – que cabe em qualquer lugar.
Mostre três dedos
- pois com eles já é possível discutir de igual -
Se te fizerem pensar sobre algo banal
E de ti arrancaram um suspiro quando,
No final ainda pensas a respeito.
Abra a mão e sirva-a
De alimento para os olhos de quem for
Porque se a ti não compreenderem
Fazes parte do movimento
- és contemporâneo, meu amor!

14 espinhos:

André L. Soares disse...

Aline, muito obrigado pelo comentário nos Gritos Verticais. Agora estou meio corrido, mas à noite volto aqui pra ler o blog com a devida atenção. Grande abraço, Poetisa!

Otávio Augusto Martinez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cássio Giovani disse...

Caro Otávio

A erudição, quando segregatória e usando fraldas, só rende considerações fresquinhas sobre teorias do belo ou do gosto, e ainda assim de uma superficialidade penosa. Se obras que as pessoas não compreendem são "gratuitas ou subjetivas" e por isso "não causam interesse" devo então supor que todas figuras singulares da história da música, da literatura e da pintura, que tiveram reconhecimento somente após a morte, também produziram, durante toda a vida, "arte gratuita ou subjetiva a ponto de não causar interesse". O “entendimento” da arte depende da significação pessoal tanto quanto do contexto social, ou seja, absolutamente subjetivo e que anda paralelo à importância histórica de uma obra qualquer. Além do mais, o universo contemporâneo é um tanto fragmentado e qualquer contextualização é perigosa. Da mesma forma que essas amarras ridículas à produção literária – e outras. Assim seremos condenados a passar o resto dos tempos masturbando os clássicos e dizendo “nunca existirá nada igual”.

Não há como definir hoje, claramente, uma cisão entre “alta” e “baixa” cultura, ou entre originalidade e mesmice. Concordo que isso não destitui os parâmetros de análise da produção literária, mas não impede que se experimente. Agora, se a crítica trata forma, ai há parâmetros de comparação e podemos ficar horas debatendo. "A história está ai para nos mostrar isso" é uma afirmação que serve muito bem a uma redação de primeiro grau, ou ao discurso de um político conservador. As noções de contemporaneidade no século XXI são tão díspares e confusas que podemos, a partir de agora, esperar sentados, por séculos, até que tenhamos um veredicto da história. Então, compreendo seu posicionamento, mas ainda não criaram um tribunal da inquisição para artistas hereges.

Atenciosamente

Cássio

Caito disse...

Caralho Cássio... assim fiquei sem ter o que comentar! Só resta assinar embaixo (literalmente!).

Otávio Augusto Martinez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline Gallina disse...

Pois é, Otávio Augusto Martinez, creio que paqra que você copie uma parte do poema que escrevi e queira usar como justificativa de suas suposições furadas. Não digo interpretações do meu poema - não apenas - mas também de suas amplas leituras literárias que pelo que citou para o Cássio, tens feito. Se você parar para pensar, e descer um pouco dessa nave a jato que o mundo hoje corre, talvez perceba que muito passa batido. Por isso vivemos numa época em que muito do que se faz é fácil de se entender, é curto, é sintetizado, sem metáforas, para polpar o tempo dos que usufruem. a música eletrônica é um ótimo exemplo. A repetição de ritmo, a mesma batida sempre, faz com que não percamos tempo com o entendimento da mesma. sendo assim, o artista - o artista que se atém a detalhes - é, na maioria das suas obras, mal compreendido. Quando você vai para uma exposição de arte conteporânea, quantas vezes você não ouve o colega ao lado falar: - Isso eu também faço! ou - que coisa rídicula, eu não entendo nada dessa arte nova!

Acho que agora deixei bem explicado. Difícil você não entender.

Sobre o que você falou que nesse blog a gente execra o velho. Isso seria impossível. Tudo vem do velho. Nado é inventado. Leia atentamente os poemas e veja se em algum momento temos essa intenção. Mas leia sem os olhos da nave a jato que citei logo no início.

Anônimo disse...

Também polemizam, didactizam discutem e citam como nas comissarias de polícia em que preconceito afila com burocrático e conceito vive na erva daninha...
Tudo. Gostei do lirismo Farto, de fardo é um facto ... o Meu trocadilho é pobre, mas os jactos e contra-cas embora em direcções diferentes procuram encontrar-se.
Voam no alto tais voos
e disciplinados ! Se me tirasem minha língua eu entrega meus olhos penhorava meus ouvidos e pedia um soneto fatal feito na hora. Não devia mas pedia para me rir com espartilho da mulher do talho!
A-braços

Otávio disse...

Gallina,

Só para que você entenda, não querendo me gabar (não me compreenda mal), digo que sou scholar na obra de Virginia Woolf, se eu vivesse nessa tal espaçonave que você disse, jamais compreenderia sua arte. Sou intérprete, veja só, de Philip Glass, compositor minimalista. Sou um dos maiores entusiastas brasileiros da obra do pintor Jackson Pollock...

Deixe-me dizer qual é o seu problema: já dizia o saudoso Vincius que um texto não é mais nosso quando é exposto. Cada um interpreta como quer. Isso você deveria ter aprendido na faculdade.

Claro que tudo vem do velho, a arte é empírica. Grande constatação!

Quer uma prova da militância do seu blog? Pois não:

"Um dia alguém há de ver poesia
no que os poetas
não enxergam poemas,
e varrer o pó literário.
- Por que não? Varrer.
Qual é o problema
com a ironia?
A falta de decência?
Não.
É só falta de métrica.
Mas, calma lá,
me empresta a régua.
Eu vou contar cada sílaba
para ver se consigo essa tal
licença poética."

Quer crítica mais elegante aos anacrônicos e conservadores? Agora, se não é crítica, me desculpe, mas a pessoa que escreveu, escreveu mal, dando margem a duplo sentido.

Cássio Giovani disse...

Isso Otavio, isso!!! Vísceras, quero ver as vísceras!!!
ADOREEEEEI!

Fala ai... doeu né?! Fica frio, é assim mesmo, antes do próximo leitinho com Nescau já estará menos afoito.

Demorou tanto! Até achei que estava buscando algo pra engordar tuas críticas. Mas não, me enganei.

Queria conseguir incomodar dessa maneira metade dos críticos que conheço... "Você não entendeu nada"..."leia com menos preconceitos"..."15 minutos de fama"... Frases assim saídas da caneta de alguém tão qualificado me deixam lisongeado.

Vou escrever bastante, mas não te preocupa, será a última vez.

Sou compreensivo com críticos, afinal, sei das dificuldades que têm em assimilar algo que os contrarie. Sabes do ditado chavão "todo crítico é, em geral, um artista frustrado". No seu caso eu acredito no contrário, acredito mesmo. Talvez ocorreu algum desvio no caminho. Mas não perca as esperanças, a maior parte dos que defendem a onagrocracia* na arte não perdem o crédito antes dos 40 anos. Até lá tens tempo.

Obrigado pela dica das vírgulas, já fui alertado da flagrante imperfeição. Nunca, é claro, por alguém que ‘é’ uma sumidade intelectual desde que brigava com outros milhões de espermatozóides no saco paterno.

Retribuo alertando que “compreensível” tem somente um s e palavras como “auto-afirmação”, no contexto em que a utiliza, são redundantes, portanto, dispensáveis.

Agora falando sério: o que você queria amigo? Vomita três ou quatro frases pedantes e espera que todos se calem, pasmos e embasbacados com sua compreensão do mundo e da arte. Otávio, você tem muita qualidade textual e conteúdo para produzir aquelas ‘cacaquinhas’. Fundamente amigo, ou espere o décimo, décimo primeiro post, para proferir seus dogmas. Ou então larga mão dessa vida de servir de DOI-CODI da arte.

Minhas “digressões de peso” têm relação direta com seus comentários, por mais que queira “passar”. Só não serviram para você porque, em geral, algumas pessoas com traços de psicopatia atribuem a si as soluções e aos outros os problemas.

Repito tudo que escrevi no primeiro texto, e peço – eu sim – que busque ler aquilo com menos preconceito. Digamos, como uma crítica à soberba, acima de tudo. Reflita, em primeiro lugar, que o blog não pretende-se como uma iniciativa única, ou um campo de concentração para clássicos, mas apenas como um espaço de experimentação, debate e crítica.

Como escrevi, podemos debater durante horas aspectos técnicos da literatura, mas descer o cacete no terceiro post do espaço, ainda mais com críticas que deixam margens tão flagrantes quanto as suas, eu sinto muito, mas é pedir pra ter resposta.

Escrevi aquilo só pra te mostrar como, em alguns momentos, é importante olhar para o próprio umbigo antes de apontar supostas imperfeições alheias. Agora que sei da tua perfeição divina eu compreendo o quanto eu devo me lamentar por ser assim tão, tão, tão humano. Quisera ser um Deus como você. Acho que eu seria um pouco mais humilde, talvez, pra não passar por ridículo.

Confesso que esperava mais de toda sua erudição... “Preciso desenhar Cássio? Não né?!” é uma tentativa de insulto que até meu filho de cinco anos já julga ultrapassada. Ainda mais para a “trupe” dos críticos, sempre tão criativos quando trata-se de julgar obras a partir de pontos de vista relativos e juízos de valor medievais....

Bem, mas eu entendi o que você quer dizer, sim, caro crítico incompreendido – não não, era o que faltava, não bastassem os escritores incompreendidos agora até os críticos remendam suas “obras”...

Certo, mas é exatamente do que você disse que eu discordo. Começando pela observação mais simplória e bestial de todas...Ora “a história está ai para...” Para quê? Para balizar a sua idéia de que escritores fajutos, que consideram-se incompreendidos para justificar seu ostracismo, estão ai a figurar por todo e qualquer período da história? Por favor amigo, vá um pouco mais longe, você não está falando com um idiotinha leitor de orelha de livro.

Aliás, eu tenho uma ressalva. Em parte sua crítica é fundamentada, e concordo com suas restrições a certas obras 'literárias', principalmente nas últimas décadas. Contudo, você escorrega exatamente nas generalizações. “Isso é malabarismo” ou “arte gratuita ou que não desperta interesse”. São tuas opiniões, ótimo. Mas aceite as arestas que elas deixam, ou então procure ler mais do que já lê e as fundamente de forma a não permitir emendas (ou saia da frente de computador e tome sol, vitamina D ajuda). E compreenda: não se trata de relativismo. O desafio de criticar exige muito mais que dois ou três perdigotos molhando o papel.

Temos perspectivas muito diferentes, é só por isso o debate já é estéril. Você é bom Tavinho, bom mesmo, mas isso não te confere o direito de apontar o dedo pra ninguém, ainda mais dessa forma tosca e toda estrambelhada. Alunos do primeiro semestre agem assim, e tomam cada tombo...

Só não entendi qual a relação dos “esquerdopatas” e do “petismo” com o “relativismo que absolve o lixo e a gratuidade artística”. Por favor, se puder apontar alguma referência para essa crítica além de Mein Kampf, do Hitler, estou interessado.

Agora, esqueça comigo esse papo de “petismo” ou de repulsa a esta ou aquela ideologia. Tenho severas ressalvas ao comportamento de diversos grupos políticos, contudo, não tenho culpa se sua origem nobre execra pontos de vista divergentes do seu conservadorismo. Façamos assim: viva seu mundo fascistóide que eu gozo tranqüilo meu mundo livre de tantos dogmas e regras.

Tá certo. Agora pode correr lá no dicionário do Ferrater-Mora. Ou, se preferir, volta para teu universo de contemplação e perfeição artística, repleto de compositores incríveis e de críticas tediosas sobre a arte dos poucos, eternamente segregatória e restrita a pessoas iluminadas como você.

Agora que confirmei minha suspeita, todas respostas que buscava já foram alcançadas.
Você basta a você, é completo... não sei como não nasceu hermafrodita!

"Deixe-me dizer qual é o seu problema", escreve você, para Aline, entre outras pérolas. Nossa otávio, sua onipotência, onipresença e onisciência impressionam. Vai até o espelho e dá uma beijoquinha em si mesmo.

Otávio, você tem muito a aprender meu caro, e com certeza não é nas páginas de qualquer livro.

Me poupe, por favor, de açoitá-lo novamente.

Atenciosamente

Cássio

*república dos asnos zurrantes

Priscila Lopes disse...

Primeiramente, gostaria de agradecer aos "comentadores" por fomentarem o debate tão precioso à intenção do blog Cinco Espinhos. Agradeço a todos, sem discriminação de raça, credo, religião ou tendência sexual. Obrigada!

Respondo, porém, especialmente ao colega Otávio Augusto Martinez, que citou um dos meus poemas para fundamentar suas opiniões.

O poema citado é, de fato, uma crítica. Caso alguém, em alguma parte do mundo, o leia e pense que estou falando de um motorista ou de uma faxineira, ficarei desapontada a ponto de nunca mais escrever: "eu escrevo muito mal".

Embora eu discorde de você num ponto (um?): adoro o duplo sentido. Venero o duplo, o triplo, quantos sentidos for capaz de ter uma frase ou um termo por mim utilizado. Gosto das coisas menos explícitas - também gosto de algumas coisas que são explícitas, enfim, gosto do que é bem escrito, já falei sobre isso. Desculpe, tenho tendência à redundância. Todos aqui, aliás, forçadamente tiveram de ser redundantes em suas respostas para terem certeza de que você entendeu. Ninguém tem.

A gente nunca tem certeza de que o outro entendeu nosso "discurso". Porque, como você redisse, o discurso (uma vez proferido) não é mais nosso. Aliás, nenhum discurso hoje em dia é, sequer, novidade. Nem ao menos o que você lê neste blog.

Quanto ao pó literário e à "intenção" do blog (que na verdade é promover o debate literário na atualidade por meio de uma ferramenta típica), pois bem, falamos da valorização do material literário (e artístico em geral) "contemporâneo" (moderno, atual) não em detrimento dos escritos do passado. Mas, veja bem, para me referir a eles, tive de dizer: passado.

"E se de repente
é verdade
que os clássicos serão eternos
clássico daqui a 5 ou 50 mil anos?
Nós... nós seremos o quê?"

Escrevi isto há um tempo, (quase) vã filosofia íntima, mas o (a)caso me fez recorrer a ela.

Abraços a todos, e até a próxima!

Aline Gallina disse...

Saudoso Otávio Augusto Martinez,
Um texto, como eu disse anteriormente, faz-se livre no cérebro alheio. Isso significa que não sei como você vai recebê-lo e - se quiser - passá-lo. E daí vira uma daquelas brincadeiras que conhecemos com o nome de telefone sem fio. Engraçado, eu desconfiava que tinha dificuldades com desprendimento em releções a pessoas, mas a textos? Será? Bom, creio que deve ter sido má interpretação de nossas partes, não é mesmo? Afinal de contas, não reclamei da cópia, adoro que leiam e usufruam, reclamei da má utilização da cópia. Estava apenas te dando um toque para que pudesse entender melhor o trecho que você quis usar como defesa pessoal. Alias, falar em usar cópias como defesa pessoal, o poema da amiga Priscila Lopes, não garante a existência de detrimento aos escritos passados. A malícia está nos olhos de quem fez a leitura. Veja bem: eu disse detrimento ao antigo. Isso significa que não necessáriamente uma poesia tenha que ser nova para ser boa. Não necessáriamente. A intensão do blog é trazer o novo à tona e tirar este preconceito que nos acerca.
Fico feliz em estar conversando com um homem de tamanha importância. Saiba que é sempre uma alegria lê-lo!
Abraços.

Otávio disse...
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Otávio Augusto Martinez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscila Lopes disse...

Incomodamos um. Não foi o primeiro nem será o último.

O blog deve, entretanto, se restringir a comentários sobre literatura - ainda que não esta, ainda que esta não seja considerada literatura.

Ah...braços!